A sobrecarga das mães e a falta de rede de apoio

Por Carol Macedo
marcele atual

Ser mãe nunca foi tarefa simples, mas, para as mulheres de hoje, essa jornada se tornou ainda mais desafiadora. Entre trabalho, casa, filhos, demandas emocionais e expectativas sociais que parecem não ter fim, muitas mães vivem em um estado permanente de sobrecarga , uma mistura de exaustão física, cobrança interna e solidão silenciosa.
A verdade é que a sociedade mudou, mas a estrutura de apoio não acompanhou. Famílias mais enxutas, jornadas de trabalho longas e a ausência de políticas públicas eficazes deixaram muitas mães tentando equilibrar responsabilidades impossíveis. E, nesse cenário, cresce um número preocupante: o de mulheres que se sentem à beira do esgotamento.
Medos que pesam mais do que o cansaço
Por trás da rotina acelerada, existem medos profundos que poucas verbalizam, mas que quase todas carregam:
• Medo de não dar conta. De falhar no cuidado, de esquecer algo importante, de decepcionar os filhos ou o ambiente de trabalho.
• Medo de ser julgada, pois vivem sob o olhar constante de críticas da família, das redes sociais, da escola e até de outras mães.
• Medo de perder a identidade, pois muitas relatam a sensação de desaparecer entre demandas e preocupações diárias.
• Medo de pedir ajuda e ser vista como incompetente, pois a maternidade ainda é romantizada, e admitir exaustão parece, para muitas, confessar fracasso.
• Medo de não conseguir oferecer o melhor aos filhos, mesmo quando fazem o possível, a culpa acompanha.
Dificuldades que se acumulam no cotidiano
A sobrecarga materna não tem uma única causa. Ela é resultado de uma soma de fatores presentes na vida moderna:
jornadas de trabalho extensas e pouco flexíveis;
acúmulo de tarefas domésticas, ainda majoritariamente atribuídas às mulheres;
responsabilidade emocional da casa, como lembrar de consultas, aniversários, reuniões escolares, cardápios, uniformes;
falta de participação efetiva de parceiros;
isolamento social, principalmente após a chegada dos filhos;
culpa constante, que impede descanso e autocuidado;
crianças com demandas específicas, como transtornos do neurodesenvolvimento, sem suporte adequado das redes pública e privada.
Quando tudo isso se combina, a mãe moderna vive em alerta contínuo, como se qualquer descuido pudesse fazer tudo ruir.
Mas existem possibilidades e elas começam pela mudança de olhar
Embora o cenário seja difícil, existem caminhos possíveis para reduzir a sobrecarga e fortalecer a saúde mental das mães:
1. Compartilhar responsabilidades de forma real.
Parentes, parceiros e até amigos podem e devem participar do cuidado. A maternidade não é sinônimo de exclusividade.
2. Criar redes de apoio comunitárias.
Trocas entre mães, grupos de bairro, redes escolares e iniciativas locais podem oferecer suporte emocional e prático.
3. Revisar expectativas irreais.
A mãe perfeita não existe. O que existe são mulheres humanas fazendo o melhor possível dentro de seus limites.
4. Organizar a rotina de maneira sustentável.
Pausas, divisão de tarefas, delegação e flexibilidade são essenciais.
5. Buscar apoio profissional quando necessário.
Psicólogos, terapeutas e profissionais da saúde podem ajudar a reorganizar emoções e aliviar a carga mental.
6. Lembrar que autocuidado não é luxo e sim necessidade.
Cinco minutos de silêncio, um banho demorado, uma caminhada, uma pausa para respirar. Pequenos gestos restauram.

A maternidade da atualidade exige força, mas também coragem para admitir fragilidades. E sociedade, escolas, empresas e famílias precisam aprender a auxiliar essas mulheres, não a cobrar mais delas.
Porque, quando uma mãe é apoiada, uma família inteira se fortalece.

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