PIRAÍ
Policiais civis da 94ª Delegacia de Polícia (DP) prenderam, no fim da tarde de terça-feira, 3, um estudante de 22 anos acusado de perseguir e praticar violência psicológica contra a ex-companheira, de 23 anos, no distrito de Arrozal. O crime foi motivado pelo inconformismo com o término do relacionamento e por dúvidas levantadas pelo suspeito quanto à paternidade do bebê que a jovem espera.
“Estamos diante de mais um caso em que o fim do relacionamento não é aceito por uma das partes, que passa a agir de forma obsessiva e ameaçadora. Isso é crime e precisa ser reprimido com firmeza”, afirmou o delegado Antonio Furtado, titular da unidade.
A vítima relatou que decidiu encerrar o relacionamento antes do carnaval, alegando constantes saídas noturnas do então companheiro para uso de drogas. Segundo a jovem, após a separação, o estudante passou a vigiá-la em diferentes horários, seguindo-a nas ruas e, em algumas ocasiões, pulando o muro e invadindo a residência.
“A perseguição se tornou reiterada e invasiva. Ele procurava familiares da vítima diariamente, tentando forçar uma reaproximação e criando um ambiente de medo constante. O estudante insistia para que a ex-companheira retomasse o relacionamento e passou a ameaçá-la, afirmando que, caso a visse com outro homem, ela ‘veria o que iria acontecer’”, explicou o delegado.
A jovem apresentou mensagens enviadas pelo investigado, nas quais ele afirmava ser o pai da criança e pressionava a ex-companheira, mesmo diante da negativa dela.
“A situação se agravou na noite anterior ao registro da ocorrência, quando o estudante abordou a ex-companheira na rua e afirmou que voltariam a ser um casal, ‘ela querendo ou não’. Nenhuma mulher é obrigada a manter relacionamento contra a própria vontade. Quando há ameaça e intimidação, a conduta ultrapassa qualquer conflito pessoal e se torna caso de polícia”, destacou Furtado.
Diante da análise das mensagens e da constatação de risco iminente à integridade psicológica da vítima, equipes da Polícia Civil localizaram o suspeito na residência da mãe dele e o conduziram à delegacia.
“Diante do conjunto probatório e da gravidade dos fatos, determinei a prisão em flagrante pelos crimes de perseguição e violência psicológica, cujas penas somadas podem chegar a cinco anos de reclusão. Quanto à paternidade, se há questionamento, o caminho correto é a Justiça, por meio de exame de DNA. Jamais a perseguição, a ameaça ou a tentativa de impor medo à mulher”, declarou Antonio Furtado.
Segundo a Polícia Civil, o estudante possui cinco anotações anteriores por porte de drogas para consumo próprio, todas registradas em via pública de Piraí.
“Entendo que a liberdade imediata pode representar risco à vítima. Nosso dever é agir preventivamente para evitar que a violência evolua para algo ainda mais grave”, concluiu o delegado.