Volta às aulas: como ajudar crianças e adolescentes a atravessar o recomeço

Por Carol Macedo
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O retorno às aulas marca muito mais do que a volta dos cadernos e dos horários. Para muitas crianças e adolescentes, esse período representa um verdadeiro recomeço emocional. Novas turmas, professores diferentes, colegas desconhecidos e mudanças na rotina ativam expectativas, mas também inseguranças que nem sempre conseguem ser colocadas em palavras.

O cérebro infantil e adolescente precisa de previsibilidade para se sentir seguro. Durante as férias, o ritmo desacelera, os horários se flexibilizam e as exigências diminuem. Quando a rotina escolar retorna de forma abrupta, não é raro surgirem sinais como irritabilidade, ansiedade, dificuldade para dormir, resistência em ir à escola ou queixas físicas, como dores de cabeça e de barriga, sem causa médica aparente. Esses sinais não indicam falta de vontade, mas um processo natural de adaptação.

Nesse momento, o papel da família é fundamental. Ajudar começa pela escuta. Perguntar como a criança ou o adolescente está se sentindo, ouvir sem pressa e sem minimizar o que é dito cria um espaço de segurança emocional. Dizer que o nervosismo é normal e que nem todo começo é fácil ajuda a reduzir a pressão. Mais importante do que garantir que tudo dará certo é transmitir a mensagem de que haverá apoio, mesmo quando algo não sair como o esperado.

A reorganização gradual da rotina também faz diferença. Ajustar horários de sono, alimentação e estudos alguns dias antes do início das aulas prepara o cérebro para o novo ritmo. A previsibilidade reduz a ansiedade e melhora a atenção. Para crianças menores, quadros visuais de rotina ajudam a tornar o dia mais compreensível. Para adolescentes, combinados claros e participação nas decisões aumentam o senso de autonomia e responsabilidade.

Outro cuidado essencial é evitar comparações. Cada criança reage ao retorno de maneira diferente. Algumas se adaptam rapidamente; outras precisam de mais tempo. Comparar irmãos, colegas ou experiências passadas apenas amplia a insegurança. O foco deve estar no processo de adaptação, não no desempenho imediato.

As relações sociais também merecem atenção. Fazer novos amigos, lidar com grupos já formados ou se despedir de antigos colegas pode ser emocionalmente desafiador. Incentivar a socialização sem cobrança e reconhecer que nem todos os dias serão fáceis ajuda a fortalecer a autoestima e o sentimento de pertencimento.

A insegurança, nesses momentos, não é sinal de fragilidade, mas de mudança. Quando a família oferece presença, escuta e rotina, o retorno às aulas deixa de ser um período de tensão e se transforma em uma oportunidade de crescimento.

Marcele Campos
Psicóloga Especialista em Neuropsicologia (Avaliação e Reabilitação) e Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, Atrasos de Desenvolvimento Intelectual e Linguagem. Trabalha há mais de 28 anos com crianças e adolescentes. Proprietária da Clínica Neurodesenvolver.

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