Médica infectologista e professor alertam para riscos graves da esquistossomose

Trata-se de uma doença tropical ainda muito presente no Brasil e no mundo, fortemente associada à falta de saneamento básico, desigualdade social e degradação ambiental

Por Tânia Cruz
40 cidades médica infectologista e pediatra alerta para riscos graves da esquistossomose divulgaÇÃo

VOLTA REDONDA
A médica infectologista e pediatra Maria Cristina Carvalho do Espírito Santo, fez um alerta contundente sobre os riscos graves da esquistossomose. Trata-se de uma doença tropical ainda muito presente no Brasil e no mundo, fortemente associada à falta de saneamento básico, desigualdade social e degradação ambiental.
Segundo a médica, a esquistossomose é considerada a segunda parasitose de maior importância médica no mundo, ficando atrás apenas da malária. As formas mais graves da doença ocorrem principalmente em áreas de alta endemicidade, ou seja, regiões onde há grande prevalência da infecção. “Na nossa região, felizmente, não observamos com frequência essas formas graves, mas isso não elimina o risco nem a necessidade de vigilância permanente”, destacou.
A médica e pesquisadora, que é ligada à Universidade de São Paulo (USP) e colaboradora do Movimento Pela Ética na Política (MEP-VR), apresentou resultados de pesquisa científica publicada em revista internacional, que analisou os impactos da esquistossomose na circulação pulmonar. O estudo demonstrou que a infecção pelo parasita Schistosoma mansoni provoca forte processo inflamatório, com aumento de mediadores inflamatórios associados ao espessamento das artérias pulmonares, fibrose e alterações estruturais nos tecidos pulmonar e cardíaco.
Ainda segundo a profissional, essas mudanças favorecem o surgimento da hipertensão arterial pulmonar, uma condição grave que compromete a oxigenação do organismo, sobrecarrega o coração e pode levar à insuficiência cardíaca, limitação física severa e até à morte. “Os dados científicos mostram que essa doença vai muito além dos sintomas iniciais. Ela pode gerar um quadro crônico, incapacitante e com alto risco de morte, o que exige maior atenção das autoridades e da sociedade”, afirmou.
ELIMINAR A ESQUISTOSSOMOSE ATÉ 2030
A médica reforçou que a esquistossomose continua ligada principalmente ao contato com águas contaminadas, como córregos, valas, rios poluídos e locais com esgoto a céu aberto, realidade ainda presente em muitas áreas urbanas e rurais, agravada por comportamentos de risco e falta de informação da população. Para ela, o enfrentamento da doença exige ações integradas de saneamento básico, vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce, tratamento adequado e conscientização da população. A profissional lembrou também que a eliminação da esquistossomose até 2030 é uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Disse que pesquisas científicas em todo o mundo estão voltadas para aprimorar o diagnóstico, o tratamento e as estratégias de controle da doença, com o objetivo de alcançar essa meta global.
O professor Saulo Karol, biólogo e físico, conselheiro do MEP, reforçou que as doenças parasitárias são também indicadores sociais e refletem diretamente as desigualdades estruturais do país. “Onde falta esgoto tratado, água potável, educação em saúde e políticas públicas contínuas, essas doenças encontram o ambiente ideal para persistir. Portanto, combater a esquistossomose não é apenas uma questão médica – é uma questão ética, social, ambiental e política”, afirmou. Segundo o educador, o cumprimento da meta da ONU só será possível com investimento real em saneamento básico; fortalecimento da vigilância epidemiológica; diagnóstico precoce e tratamento adequado; e, sobretudo, educação científica e popular, capaz de transformar informação em prevenção.

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