Procurador da República Julio Araujo lança livro em Volta Redonda

O evento, realizado no campus Aterrado da Universidade Federal Fluminense (UFF), reuniu estudantes, professores, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil em torno de um tema que atravessa o cotidiano brasileiro:  segurança pública como direito fundamental

Por Roze Martins
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VOLTA REDONDA

O Procurador da República e escritor Julio Araujo esteve em Volta Redonda, nesta sexta-feira , dia 29, para lançar seu novo livro “Segurança Pública nas Rédeas da Constituição – Um Direito Fundamental em (re)construção”. O encontro, realizado no campus Aterrado da Universidade Federal Fluminense (UFF), reuniu estudantes, professores, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil em torno de um tema que atravessa o cotidiano brasileiro: o direito à segurança. Mais do que uma manhã de autógrafos, o lançamento se transformou em um debate plural sobre os caminhos para superar o modelo tradicional de enfrentamento da violência, baseado quase exclusivamente na repressão policial.

“Segurança não é só polícia”

Durante a palestra, Araujo apresentou a tese central da obra: a segurança precisa ser reconhecida como um direito fundamental previsto na Constituição, e não apenas como atribuição das corporações policiais. “Muitas vezes, a segurança é reduzida a viaturas e policiamento ostensivo. Mas é muito mais que isso: envolve políticas de prevenção social e situacional, estratégias de justiça e uma polícia organizada sob bases democráticas e cidadãs”, afirmou. Segundo ele, a segurança também se traduz na garantia de continuidade da vida cotidiana:“ Sentir-se seguro é saber que você vai chegar em casa, que seu filho estará protegido, que aquilo que você conquistou não será perdido amanhã. É um direito que dialoga tanto com os fatos objetivos quanto com a sensação subjetiva de insegurança.”

Herança histórica e crítica ao modelo

O procurador destacou ainda o peso simbólico de lançar o livro em Volta Redonda, lembrando que a cidade foi considerada área de segurança nacional durante a ditadura militar, por abrigar a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). “Esse passado ajuda a compreender como a lógica da ‘segurança nacional’ impactou a concepção de segurança pública no Brasil, e ainda ressoa até hoje”, disse. Com base em sua trajetória de pesquisa e atuação profissional, Araújo fez críticas ao modelo repetitivo que se arrasta há décadas no país.“Há 40 anos ouvimos os mesmos discursos: mais viaturas, mais policiais. Mas será que isso efetiva a segurança? Precisamos de políticas integradas, que assegurem o direito de todos.” Araujo também chamou atenção para a necessidade de articular os diferentes entes responsáveis pela segurança — Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal — e de restabelecer a confiança da população nessas instituições. “O ponto de partida é pensar a segurança como um direito. Isso exige políticas consistentes e uma polícia estruturada de forma democrática. Caso contrário, continuaremos presos a velhos modelos que pouco avançam”, alertou.

Agradecimentos e mobilização social
O Procurador agradeceu a acolhida do professor Luis Henrique Abegão, diretor do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFF, da professora Vassesa Terrade, do professor Carlos Eduardo Martins, da Faculdade de Direito, e de integrantes do Movimento Ética na Política (MEP), além do Dr. João Helvécio, representantes do Fórum Justiça, estudantes e lideranças locais. Encerrando a atividade, reforçou a importância da mobilização social em torno do tema: “É preciso energia positiva para seguir ampliando o debate. A segurança pública só será efetiva quando for tratada como um direito de todos, a ser universalizado de forma igualitária.”

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