A gravidez é mais do que uma experiência biológica: é um período em que corpo e mente da mulher se transformam para acolher uma nova vida. O que muitas vezes passa despercebido é que o ambiente emocional da gestante também molda, de forma silenciosa e profunda, o cérebro do bebê em formação.
Pesquisas recentes mostram que o estresse crônico e, em especial, a violência durante a gestação não afetam apenas a saúde da mãe. O excesso de cortisol (o hormônio do estresse) pode atravessar a placenta e alterar áreas do cérebro fetal ligadas à memória, à atenção e à regulação emocional. Já a violência física ou psicológica amplia ainda mais os riscos: parto prematuro, baixo peso ao nascer e maior vulnerabilidade a transtornos como TDAH e dificuldades de aprendizagem.
Isso não significa que o destino da criança está traçado. O risco aumenta, mas não é determinista. O fator decisivo está nas redes de apoio, no cuidado integral à saúde da gestante e em intervenções precoces que podem mudar trajetórias.
Por isso, olhar para a gestação apenas como um processo médico é um erro. É preciso enxergá-la como um momento que exige proteção emocional, segurança e vínculos saudáveis. Cuidar da saúde mental da gestante é, ao mesmo tempo, cuidar da saúde mental das futuras gerações.
Quando a sociedade protege uma mãe, está protegendo o cérebro de uma criança e, com ele, o futuro de todos nós.
Vamos juntos?
Marcele Campos
Psicóloga Especialista em Neuropsicologia (Avaliação e Reabilitação) e Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, Atrasos de Desenvolvimento Intelectual e Linguagem. Trabalha há mais de 28 anos com crianças e adolescentes. Proprietária da Clínica Neurodesenvolver.