VOLTA REDONDA
Com uma vasta história de superação e um histórico de muitos acidentes, o paratleta volta-redondense Rafael Teixeira, de 42 anos – que não possui uma das pernas – está reforçando a divulgação da Campanha da Prótese – ‘Quanto Custa um Passo?’, através da qual pretende arrecadar o valor para a compra de uma peça articular que custa o equivalente a R$ 150 mil. A campanha, segundo ele, começou há três meses, mas há cerca de três semanas as doações foram paralisadas e, até o momento, ele só conseguiu arrecadar R$ 64 mil.
Conforme destaca Rafael, seu maior desejo é a compra dessa prótese particular, ao invés de tentar a oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porque o modelo é indicado pelo médico fisiatra da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e compatível para práticas de esportes, o que não é o caso da SUS. “Estou fazendo de tudo pra divulgar a campanha, mas só tenho dois mil seguidores no Instagram, aí preciso que novas pessoas tomem conhecimento. Eu sou um atleta PCD e a prótese particular permite ter uma marcha mais perfeita com menor risco de quedas e possibilita fazer exercícios físicos na academia, andar de bike e participar de corridas, além de suportar maior peso corporal, tendo uma durabilidade muito maior”, destacou Rafael, ao explicar que sua amputação é transfemoral e a prótese tem quatro partes, sendo o joelho a mais cara.
Histórico de acidentes e superação
Ao recordar os obstáculos que enfrentou, o paratleta contou que sofreu um acidente de moto há 15 anos, no qual teve 23 fraturas e ficou muito tempo acamado, precisando usar fixador externo na perna esquerda. Ao melhorar, cinco anos após o acidente, ele sofreu uma queda do telhado e teve fratura exposta do mesmo fêmur esquerdo, necessitando de mais uma vez usar fixador externo e ter que fazer alongamento ósseo de 4,5cm porque uma perna ficou menor do que a outra. “Nesses últimos 15 anos fiz 27 cirurgias lutando para não perder a perna. Mas, na véspera do Natal de 2024, por causa de uma infecção no osso, eu tive que a amputar. Eu quero muito essa prótese porque mesmo com todas as dificuldades, eu sou uma pessoa muito ativa, pratico esporte, faço tratamento na AACD lá em São Paulo. Vou e volto toda semana e lá eu pratico esporte paralímpico, vôlei sentado, mais alterofilismo. Aqui em Volta Redonda eu faço corrida de muletas; esse final de semana fui em Resende e corri cinco quilômetros de muleta, tudo para tentar divulgar a campanha da prótese porque as doações estão muito fracas”, destacou, ele acrescentando que é aposentado, pai de dois filhos, sendo um com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e sua esposa, perdeu o emprego porque precisou o acompanhar durante quatro meses de internação.
Inspiração para outras pessoas com deficiência
No último fim de semana, durante a Expo VR 2025, que aconteceu na Ilha São João, em Volta Redonda, Rafael aproveitou o grande público da festa, que teve como um dos focos a inclusão e acessibilidade, para divulgar a campanha por meio de entregas de folders. Na oportunidade, ele também disse que fez questão de inspirar e mostrar para outras PCDs a importância da prática de esportes. “A minha intenção não é só a prótese, entendeu? Muitas das vezes o PCD tem vergonha do corpo, tem depressão, não sai do quarto, não quer mais se inserir na sociedade. E aí a pessoa me vê correndo de muleta e fazendo meia maratona. É não é inspirar apenas as Pessoas com Deficiência, mas outras a também a refletirem: poxa, o cara não tem uma perna, está de muleta e está correndo. E eu tenho duas pernas e estou aqui reclamando de dor, preguiça. Eu quero ser uma inspiração”, enfatizou.
Interessados em ajudar o Rafael Teixeira podem fazer doações via Pix pela chave: [email protected]. E quem quiser acompanhar sua rotina e trajetória pode acessar as páginas @thor.quebrado. Além de ter promovido sua campanha durante a exposição na Cidade do Aço, ele também tem intensificado a divulgação nas ruas e na feira livre do município.










