Sassaricando – Oscar Nora – 7 de julho de 2018 – A Voz da Cidade
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Sassaricando – Oscar Nora – 7 de julho de 2018

Sassaricando – Oscar Nora – 7 de julho de 2018


Sinto-me como um zumbi solitário, perdido na noite fria e chuvosa do cemitério. Um pesado silêncio invade todas as partes. Até os narradores no rádio e na televisão, habitualmente pródigos de retórica e califasia, estão murchos e desconectados. O frenesi que pela manhã tomou conta das pessoas, a caminho do trabalho ou das compras, tornando-as ligeiras e de semblantes ansiosos, não existe mais.
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As alegres e ruidosas cornetas, lembrança das vuvuzelas da África do Sul, deixaram de emitir seus estridentes sons. Ainda são 17 horas, mas as lojas comerciais estão de portas fechadas. Camisas, bandeiras, flâmulas e galhardetes nas cores verde e amarelo, lembrando com ufanismo a Copa do Mundo e a Seleção Brasileira, enfeitam improvisadas bancas de camelôs.
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Mas não há comprador para esses objetos que até a pouco significavam poder, talento e um montão de outras virtudes. Agora são apenas vicissitudes, ou seja, representam os acasos que acontecem cotidianamente, “os altos e baixos da vida”. Os camelôs, são as únicas almas vivas no deserto das calçadas e das ruas.
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A causa dessa imediata revolução de comportamento nos brasileiros é o insucesso dos canarinhos. Não os pássaros-canarinhos de canto maravilhoso, para os quais basta o verde que a natureza lhes oferece de alimento. No caso, o insucesso é dos canarinhos que saboreiam alpiste muito mais caro que só o verde de papel permite desfrutar.
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Os canarinhos da seleção brasileira de futebol perderam a partida contra a Béliga e a classificação para continuar disputando a Copa do Mundo. Amarga derrota que transformou a euforia em desânimo, desligou motores, suspendeu desfiles e buzinaços. Sobreviveram os cozinheiros, pizzaiolos e garçons. Antes do jogo formavam exércitos. Depois do jogo se reduziram a batalhões. Prontos a servir os seguidores do lema “na alegria ou na tristeza, não se pode perder a esportiva”!
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Ouço longe, não muito longe, uma série de hinos. Afinal, é a vida que segue.
“Uma vez Flamengo, sempre Flamengo. Flamengo sempre eu hei de ser. É o meu maior prazervê-lo brilhar, seja na terra, seja no mar. Uma vez Flamengo,
Flamengo até morrer.”
“Vamos todos cantar de coração. A Cruz de Malta é o meu pendão. Tu tens o nome de um heroico português. Vasco da Gama, a tua fama assim se fez! Tua estrela, na terra a brilhar, ilumina o mar!”
“Sou tricolor de coração. Sou do clube tantas vezes campeão. Fascina pela sua disciplina. O Fluminense me domina, eu tenho amor ao tricolor. Salve o querido pavilhão, das três cores que traduzem tradição.”
“Botafogo, Botafogo, Campeão desde 1910. Foste herói em cada jogo, Botafogo, por isso que tu és. E hás de ser, nosso imenso prazer. Tu és O Glorioso, Não podes perder, Perder pra ninguém.”

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