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População assustada com tiroteio e roubos de bancos no Centro de Quatis

EXPLOSÃO abriu um rombo na parede no Banco do Brasil - Idelfonso Pinheiro

População assustada com tiroteio e roubos de bancos no Centro de Quatis

QUATIS

A população está assustada com o intenso tiroteio e a explosão de duas agências bancárias ocorridas na madrugada desta sexta-feira na cidade. Aproximadamente 12 homens utilizando toucas ninja e capuz, fortemente armados com fuzis, pistolas e até submetralhadores, trocaram tiros, por quase meia hora, com agentes do Destacamento de Polícia Militar e explodiram os cofres do Banco do Brasil, situada na Rua Faustino Pinheiro e da Caixa Econômica Federal, na Rua Avelino Batista Soares. Após o tiroteio, os bandidos fugiram em quatro carros, um Sandero, Gol, HB20 e um Kadett, todos brancos em direção a Estrada RJ145, que dá acesso ao distrito de Falcão e dos municípios de Resende e Minas Gerais. No período da manhã o Kadett foi encontrado abandonado na Estrada de Falcão e a tarde, um Sandero também estava abandonado na serra do distrito Fumaça, em Resende.

O crime teria acontecido por volta das 4 horas da manhã quando homens encapuzados e armados com fuzis, submetralhadoras e pistolas abriram fogo contra o Destacamento de Polícia Ostensiva da Polícia Militar. “Paramos em frente ao DPO para fazer a troca de policiais quando fomos surpreendidos por vários disparos de arma de fogo. Corremos para dentro do DPO e tentamos revidar a agressão. Foram muitos tiros que vinham da frente e das laterais da rua. Tanto que o DPO está com marcas de tiros nas janelas e nas paredes”, contou um policial, informando que durante o tiroteio ocorreram duas explosões. “No meio dos tiros ouvimos dois estrondos fortes feitos ao mesmo tempo. Passado algum tempo o tiroteio acabou e ouvimos os gritos de homens chamando outros para irem embora”, disse.

Na manhã desta sexta-feira, dia 12, equipes da 100ª Delegacia Legal de Polícia Civil (PORTO REAL), peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e a Polícia Federal estiveram nas duas agências bancárias colhendo material para serem encaminhados para perícia técnica.

Até o fechamento desta edição as assessorias de imprensa tanto da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil em contato via telefone não informaram o valor levado pelos bandidos.

POPULAÇÃO ASSUSTADA

Durante todo o dia o assunto em foco nas principais rodas de conversas de Quatis era a explosão das agências bancárias e o intenso tiroteio. Moradores dos imóveis localizados nas proximidades dos dois bancos verificavam a fachada de suas casas procurando as marcas de tiros. “Acordei assustado, por volta das 4h05min, com os barulhos dos tiros. Primeiro ouvimos uma rajada de tiros e em seguida foram disparos constantes. Os homens ainda gritaram alto, mas com o barulho intenso não dava para ouvir o que falavam. De repente, ouvimos um barulho muito forte tipo explosões. Imaginei na hora que seria assalto. Só que pensava que seria no Bradesco e não nos dois bancos”, contou o aposentado Jorge da Silva, que teve a fachada do apartamento perfurado pelos tiros. “Várias marcas de tiros ficaram na lateral do prédio. Por sorte só foi mesmo a massa do reboco que foi danificada. Quatis já foi pacata. Agora é um tal de venda de drogas e até de morte que a gente dica até assustado”, disse.

“Acordamos assustados com os tiros. Juntei minha filha e minhas netas e nos escondemos no corredor da nossa casa, que é mais protegido já que não tem várias paredes e ficamos escondidos por mais de meia hora. Nem tivemos coragem de sair quando cessaram os tiros”, contou uma dona de casa que pediu para não se identificar, informando ainda que várias marcas de tiros ficaram na parede de frente e na lateral de sua casa.

CARROS DANIFICADOS COM “MIGUELITOS”

Os motoristas que trafegaram pela RJ159, estrada que dá acesso a Quatis, nas proximidades do portal da cidade, na ponte de ferro que liga os municípios de Porto Real e Quatis e em frente ao sítio Andorinhas, também foram atingidos pela quadrilha que trocou tiros e explodiu as agencias bancárias.

Os bandidos espalharam pelas pistas “miguelitos” ou “estrelinhas” – conjunto de pregos entrelaçados por fios de arame – para furar pneus de carros. “Minha mãe acordou assustada com as frenagens dos carros e os estouros dos pneus. Quando apontei na janela vi vários motoristas gritando que os pneus foram furados com pregos espalhados no chão. Por sorte não aconteceu um acidente”, disse um morador da região do Sítio das Andorinhas sem se identificar.

As borracharias de Quatis e de Porto Real tiveram trabalho dobrado. Devido à quantidade de motoristas que tiveram os carros danificados. “Só hoje aqui eu atendi mais de cinco carros. Teve um veículo que tivemos que rebocar porque estava com os quatros pneus furados”, informou o atendente da borracharia José Luiz Silva.

INVESTIGAÇÃO

De acordo com o delegado titular da 100ª Delegacia Legal de Polícia Civil (PORTO REAl), Marcelo Haddad, que deu início as investigações, a quadrilha que atuou em Quatis teria atuado da mesma forma em cidades da região como Angra dos Reis. “O bando chegou à cidade, se dividiram em quatro equipes, sendo que uma ficou fuzilando o DPO da Polícia Militar para impedir que os policiais saíssem. Enquanto dois grupos foram para o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, onde simultâneamente, os marginais promoveram as explosões e pegaram o dinheiro. Uma quarta equipe deu apoio na fuga dos marginais pela Estrada que dá acesso ao distrito de Falcão”, explicou o delegado, informando que aproximadamente 12 homens teriam participado da ação criminosa. “Acreditamos que seriam mais de dez homens e tudo com armamento pesado, entre eles, submetralhadora, pistolas automáticas e fuzis com muita munição. Foi uma operação coordenada que indica que eles estão habituados a fazerem este tipo de assalto e já vieram preparados para esta ação. Eles utilizaram a mesma forma de crime que já vem sendo praticada em cidades da região como Angra dos Reis e até outros estados do país”, destacou. Marcelo Haddad comentou ainda que um Kadett branco com placa de Quatis foi encontrado abandonado na estrada que dá acesso ao distrito de Falcão e dos municípios de Resende e Minas Gerais. “O carro provavelmente foi abandonado por uma equipe dos bandidos e vai ser realizada a perícia neste Kadett para ver se nós encontramos vestígios que nos levem a autoria. Também estamos levantando se o carro pertence a alguns moradores de Quatis ou se foi um objeto de furto, ainda mais que a placa era da cidade. Tudo isso será apurado”, revelou o delegado.

Durante a manhã policiais militares, civis e até moradores recolhiam no chão cápsulas deflagradas de vários calibres. Já no período da tarde, agentes do 37º Batalhão da Polícia Militar (RESENDE) encontraram um Sandero branco, com placa de Araruama, no interior do Rio de Janeiro abandonado na serra do distrito de Fumaça, em Resende. “O carro estava abandonado em uma vala e dentro encontramos o documento do carro e estojos de fuzil. O veículo terá que ser rebocado porque está em um declive. Também vamos verificar se o carro pode ter sido clonado”, disse o comandante do Batalhão, Rogério Jackes da Silva.

CASO ISOLADO

O prefeito Bruno de Souza (PMDB) tem o mesmo entendimento do comando da Polícia Militar, ou seja, a explosão dos cofres de duas agências bancárias em Quatis, ocorrida na madrugada desta sexta-feira, foi um “caso isolado”, uma vez que o Município é considerado um dos mais tranquilos da região.

Bruno disse que a ocorrências da mesma natureza foram registradas recentemente em Resende, Itatiaia e Porto Real, quando bandos armados invadiram um hospital particular, a sede da prefeitura local e uma empresa privada, nestes municípios, respectivamente: “A invasão destes locais em outras cidades mostra que não se trata de um fato exclusivo de Quatis”, afirma o prefeito.

Lembrando que o policiamento ostensivo e o trabalho de investigação judiciária são atribuições constitucionais do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Bruno informa que a Prefeitura de Quatis tem reivindicado o reforço no policiamento ostensivo às instituições competentes, como ocorreu recentemente, numa reunião em Falcão, quando o próprio prefeito fez este pedido ao comandante da companhia da PM responsável pela vigilância em Quatis e Porto Real, Tenente Rafael Maximiano.

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