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Nomofobia: a dependência do telefone celular

Há quem aproveita a hora de almoço para conferir os recados e posts//Fábio Guimas

Nomofobia: a dependência do telefone celular

SUL FLUMINENSE

Quantas vezes você checa o seu celular? Pesquisas mostram que a maioria das pessoas dá, em média, 150 olhadinhas por dia. Ou seja, mais de seis vezes por hora! Esse hábito prejudica a sua vida? Qual é a sua ligação com o aparelho?

Recentemente, os fãs de Anitta questionaram a cantora sobre seu casamento com Thiago Magalhães. Por ele ter sumido virtualmente, os fãs pensaram que o casal havia se separado. O motivo do sumiço do empresário é um detox do aparelho, por conta do vício.

O termo nomofobia (uma abreviação, do inglês, para no-mobile-phone phobia) foi criado no Reino Unido para descrever o pavor de estar sem o telefone celular disponível. Na realidade, este neologismo atualmente tem sido muito utilizado para descrever a dependência do telefone móvel.

Os especialistas fazem um alerta aos pais que deixam as crianças brincarem com o celular. Os aparelhos substituem a interação pessoal e isso atrapalha o desenvolvimento da linguagem porque menos áreas cerebrais serão desenvolvidas.

A psicóloga de Barra Mansa, Thais Rodrigues de Andrade, destaca que as consequências desse vício debilitam as relações interpessoais e cognitivas. “As pessoas não reconhecem que estão viciadas em celular ou em qualquer outro tipo de tecnologia. Quem percebe é a família e os amigos. Eles é quem devem identificar os primeiros sinais e incentivar a pessoa a procurar ajuda psicológica.

De acordo com ela, esse é um problema que atinge a todas as idades, querendo ou não, as redes sociais ou o celular em si, tem atrativos para todos não importa a idade ou o sexo. “Todos nós somos alvos, temos sempre que priorizar pessoas, não coisas. Neste século inverteram os valores. Coisas são passageiras, precisamos valorizar família e amigos. Hoje em dia não temos mais o hábito de ir a casa das pessoas, a tecnologia junta as pessoas e ao mesmo tempo as afasta”, destaca a psicóloga.

BOOM

Desde a metade dos anos 1990, o uso de aparelhos eletrônicos tem aumentado cada vez mais rapidamente. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT) já são mais de sete bilhões de aparelhos celulares em uso no mundo, sendo esta a maneira mais usada para acessar a internet. Com o advento dos smartphones, o aparelho já traz diversas facilidades muito além da câmera fotográfica e filmadora de alta resolução, como ampla acessibilidade a e-mails e redes sociais, pesquisas online, visualização de filmes e programas de TV, músicas, realização de transações financeiras e diversas outras possibilidades. Apesar de todas estas vantagens, algumas pessoas podem apresentar um padrão de uso problemático.

Uso abusivo

As pessoas que apresentam uso abusivo do celular têm maior chance de desenvolver transtornos psiquiátricos como ansiedade, depressão e sintomas de impulsividade, embora a relação de causa-efeito nem sempre seja fácil de ser estabelecida. Problemas físicos frequentemente ocorrem, incluindo fadiga, patologia ocular, dores musculares, tendinites, cefaleia, distúrbios do sono e sedentarismo. Além disso, é evidente a maior propensão em se envolver em um acidente automobilístico e de sofrerem quedas ao andar.

Fique atento aos sinais de dependência. O principal deles é o prejuízo, seja no âmbito escolar, do trabalho, da saúde, dos relacionamentos e até do sono. Fique atento a outros pontos: quando mexer no aparelho passa a ser prioridade, quando alguém reclama que você fica muito tempo conectado, irritabilidade quando o acesso está restrito.

Além da dependência, o uso exagerado do celular pode trazer consequências físicas. A coluna pode ficar torta, os olhos secos, dores nas articulações, pode ter o distúrbio do sono e traumas auditivos.

A dependência deve ser diagnosticada e é tratada como um problema de saúde mental. A terapia é o principal tratamento. Medicamentos são usados quando existe outra doença em paralelo, como a depressão ou ansiedade, por exemplo.

O vendedor Alexandre dos Santos, de 39 anos, comenta que sobre seu vício em celular o prejudica em algumas situações. “Prejudica um pouco o convívio social, porque às vezes dou mais atenção ao celular do que às pessoas a minha volta. Já atrapalhou algumas vezes no serviço. Meus amigos até zombam de mim sobre eu dizer que não vou a locais onde celular não pega. Tenho uma amiga que mora onde não há sinal. Só fui lá uma vez, e já tem mais de seis anos”, comenta, acrescentando que tem preferências por aparelhos mais caros. “Celular abaixo de R$ 2 mil pra mim não serve. Tem que ser rápido e potente. Uso muito a câmera. Por isso é um dos fatores importantes na hora da compra. Nem jogo, uso mais para acessar redes sociais mesmo”, completou.

Sobre a frequência que usa o aparelho, Alexandre revela que já foi advertido. “Algumas vezes a minha gerente já me chamou a atenção. E às vezes me atrapalha dormir também porque fico mexendo nele antes. Mas acho que esta virando hábito também. Pois às vezes já vi tudo que tinha pra ver e vejo tudo novamente, só pra estar fazendo algo nele. Uma coisa que percebi há pouco tempo é que mesmo estando em casa e não usando, ele tem que estar no mesmo cômodo que eu. Não sei ficar na cozinha e o celular no quarto, ou na sala”, revelou, até mesmo durante o banho ele não desgruda do aparelho. “Entrei no banho e deixei o celular na bancada. Ao ouvir a sinal do WhatsApp, já estiquei a mão pra pegá-lo e responder. Ele é a prova d’água, comprei justamente por isso. Para não precisar desgrudar”, afirmou.

Questionado sobre a socialização, ele diz não encontrar problemas. “Se estou num barzinho, o celular está na minha mão, socializo, mas ele sempre está comigo. Não acho que o celular me atrapalha tanto assim. É que as pessoas não têm paciência de esperar eu terminar de responder o celular para falar com elas”, aponta, informando que seu aparelho nunca fica no modo silencioso; nem para dormir.

Sobre socialização entre amigos, a jornalista Franciele Aleixo destaca um hábito saudável entre seus amigos. “Quando nos reunimos é quase proibido usar o celular. Fazemos fotos, postamos e depois todo mundo tem que guardar o aparelho na bolsa ou fazer uma ‘torre’ com todos os aparelhos em cima da mesa. Ninguém mexe. Custamos a nos reunir e quando conseguimos, temos que estar presentes ali, convivo real é o mais importante do que o virtual”, destaca.

Sintomas da nomofobia

Portanto, as pessoas com uso problemático do celular apresentam diversos sinais e sintomas muito parecidos com a dependência de drogas:

Fissura: a) usa o telefone celular para se sentir melhor, quando está pra baixo.

Abstinência: a) quando não está com o aparelho fica preocupado e ansioso em perder chamadas ou mensagens; b) acha difícil desligar o aparelho em situações obrigatórias, como no avião ao decolar;

Então, se a primeira coisa que você faz quando acorda é olhar o seu celular; se checa o seu telefone de cada 5 a 30 minutos; se dorme com o celular no seu quarto (pior ainda se for do lado da cama); se sempre arranja uma desculpa para levar o celular para o banheiro e, se anda com ele na mão a maior parte do tempo, você pode ter dependência do celular. Assim, aqui vão algumas sugestões que poderão te ajudar:

Não perca o seu sono

Jamais leve o celular para a cama. Desligue-o e deixe ele fora do seu quarto. Se a sua desculpa é que você usa ele para despertar, compre um despertador.

Acordou? Planeje!

Ao acordar, você deve se preparar para o dia que terá pela frente, ir no banheiro, preparar o seu café da manhã, se alongar, se vestir e arrumar. Os primeiros 45 minutos são seus. Não cheque o celular antes disso.

 Incentivos para quem precisa diminuir a dependência do celular

Esteja presente

Estabeleça limites para acessar suas redes sociais

Deixe o seu celular desligado – ou em modo avião

Volte a usar cadernos

Seja o exemplo

Mantenha a tela cinza ou preta

Desative as notificações

Limpe a sua tela inicial

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