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Jovem de Volta Redonda perde bebê e alega negligência do Hospital São João Batista

Parentes e amigas da jovem que perdeu o filho durante manifestação na Praça da Prefeitura  -TANIA CRUZ

Jovem de Volta Redonda perde bebê e alega negligência do Hospital São João Batista

A jovem Thamires Rodrigues, de 25 anos, que estava grávida, segundo ela,  de 37 semanas e quatro dias, foi mais uma mãe que perdeu o bebê antes de tê-lo nos braços, e alega negligência dos médicos do Hospital São João Batista (HSJB), em Volta Redonda. Com gravidez de risco, a jovem fazia pré-natal na Policlínica da Mulher, mas segundo ela e familiares, quando precisou ser atendida na unidade hospitalar por várias vezes não recebeu o atendimento necessário. Além disso, não foi atendida quando solicitou uma cesariana, já que não tinha passagem para o parto normal.

Thamires contou que foi e voltou para o hospital várias vezes, pois estava com cálculo renal e seu fígado ‘atacado’, mas nenhum dos médicos que fez o atendimento dela queria fazer cesariana. “Sofri e demorou para eu ser atendida. Fiz pré- natal na policlínica e o médico que estava me atendendo falou que era normal. Que eu ia ter que esperar até o dia 1º de outubro para poder ganhar o meu bebê”, contou.

MESMO PROBLEMA NA GESTAÇÃO ANTERIOR

Thamires informou ainda que, tem uma filha de 7 anos e que na gestação dela foi assim também. Por isso, estava tendo todos os cuidados. “Tive que tirá-la com 8 meses de gestação, mas foi pelo plano de saúde. Os médicos, na ocasião, já sabiam do meu problema, como os desta gestação, e agiram rápido. Sofri, mas tive me filha. Desta vez, sofri muito e agora voltei para casa sem meu filho nos braços. Enterrei meu filho sem mesmo ter pego em meus braços”, lamentou a jovem muito emocionada após ter sepultado o  corpo do bebê no Cemitério Municipal Isidório Ribeiro, no bairro Retiro, no início da tarde desta quinta-feira, 13. O sepultamento ocorreu logo depois da jovem receber alta do hospital.

A jovem disse que perdeu o bebê na noite de quarta-feira, 12, um dia depois de ter ido à consulta de pré-natal na policlínica, onde foi garantido que estava tudo normal com ela e o filho. Só que na manhã da quarta-feira, ela não sentiu o bebê. Por isso, exames foram feitos e detectaram que o feto já estava morto. Disse que o natimorto foi expelido durante à noite, de parto normal.

“SOMOS TODAS THAMIRES”

Enquanto isso, nesta quinta-feira, 14, parentes e dezenas de amigas da jovem criaram um grupo e iniciaram nas redes socais o movimento “Somos Todas Tamires”. Em seguida se reuniram e marcaram uma manifestação pelas redes socais, que aconteceu no inicio da tarde. O protesto aconteceu na Praça Sávio Gama, em frente ao Palácio 17 de Julho, sede da Prefeitura de Volta Redonda. A maioria vestindo roupas pretas e carregando cartazes e bolas brancas, além de denunciar as mortes de bebês no HSJB, as manifestantes alertaram também pelas outras mortes suspeitas que, segundo elas, estão acontecendo também no Hospital do Retiro e nos Cais Aterrado e do Conforto.

A exemplo de outros familiares e amigos de Thamires, a irmã dela, Talita Rodrigues, de 33 anos, declarou que negligência é o nome para o que aconteceu com a irmã dela. Disse que mesmo sabendo que ela não tinha condições de ter o bebê por parto normal, o hospital se negou a fazer cesárea como deveria. Além disso, todas as vezes que ela ia ao hospital, mesmo passando mal sempre ouvia a mesma frase dos médicos, que isso é normal. “É um descaso. Até quando as mães vão perder suas crianças nesse hospital?”. Indagou a irmã, lembrando que como sem passagem, ela poderia ter parto normal de um bebê de mais de três quilos e meio. “Foi negligência mesmo”, reafirmou.

OUTROS CASOS

Vale lembrar que, na edição de quarta-feira, 12, o A VOZ DA CIDADE, com exclusividade publicou matéria sobre a também gestante Juliana Gonzaga, de 42 anos. Até o fechamento da edição, ela já aguardava no Hospital São João Batista há 36 horas a indução do parto normal do natimorto. Ela estava grávida de 32 semanas. Até o fechamento desta edição ela se encontrava no hospital a espera da dilatação para expelir o natimorto. Outra jovem, Nathália Rodrigues de Menezes, de 22 anos, grávida de 39 semanas e, por ser uma gravidez de risco, também está fazendo pré- natal na policlínica. Disse que há dez dias está sentindo muita dor e sempre indo ao hospital, mas que os médicos não passam nenhum exame para saber como está o bebê. Como já perdeu um bebê há cinco anos, com 22 duas semanas de gravidez, teme que isso se repita. Garantiu que muitas das vezes sangra e mesmo assim ouve dos médicos que isso é normal. Contou que teve sangramento e ficou internada durante seis dias, mesmo assim não foi atendida para fazer cesárea.

RESPOSTA DO HOSPITAL

Segundo informações da direção do Hospital São João Batista, a paciente, de 25 anos, 38 semanas de gestação, fez todo o pré – natal na Policlínica. “Foi à consulta de pré Natal em 11/09, sem problemas. Ontem pela manhã, não sentiu o bebê. Feitos exames no HSJB e constatado Feto Morto. Foi colocada no protocolo de Feto Morto e houve expulsão ontem a noite. Esteve internada no HSJB em 03/09, onde todos os exames foram realizados e nenhum problema foi constatado. Foi aberta sindicância para avaliação dos fatos e posterior encaminhamento para o CREMERJ para avaliação de Câmara Técnica da Especialidade”, conclui a nota.

 

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