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Eleições na CNC: o desafio da gestão eficiente e da neutralidade político-partidária

Gastão é vice-presidente da CNC, presidente licenciado da Fecomercio Ceará e interventor do Sesc e do Senac Rio de Janeiro - Foto: Divulgação

Eleições na CNC: o desafio da gestão eficiente e da neutralidade político-partidária

A política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros
Henry de Montherlant

Missão cumprida, Antônio Oliveira Santos encerra em breve um ciclo exitoso à frente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), entidade que transformou, alçando Sesc e Senac a uma categoria única no mundo na nobre missão da transformação social. Abre-se agora a oportunidade para que seu sucessor dê continuidade a esse trabalho, com responsabilidade e sem aventuras.

As eleições na CNC, que lidera um dos principais setores da economia do país, não podem, por isso mesmo, ser intoxicadas pelo mundo político-partidário. O sucessor do presidente Antonio Oliveira Santos, que deixa um inestimável legado nesse setor que já representa 1/4 do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gera aproximadamente 25,5 milhões de empregos diretos e formais, deve vir diretamente do mundo empresarial, sem atalhos por siglas, alianças partidárias e conchavos políticos.

José Roberto Tadros, presidente da Fecomercio Amazonas, que, por seu extraordinário trabalho, tem hoje ampla maioria de apoio entre as federações estaduais – pelo menos 20 dos 28 líderes empresariais que formam esse colégio eleitoral devem votar nele – tem remado na direção deste dogma. Uma CNC independente, íntegra e apartidária.

Representante máxima dos cerca de cinco milhões de empresas do comércio de bens, serviços e turismo, a CNC não pode virar linha de transmissão de nenhum grupo político, ainda mais no Brasil de hoje. A neutralidade político-partidária, além de uma premissa de decência e ética, reforça o que realmente importa. Ter mecanismos de controle para que a eficiência e o zelo pelo recurso e a transparência sejam a regra máxima da atuação do Sesc e do Senac no país inteiro, ampliando a capacidade de atendimento e transformando essas entidades em um exemplo global. Não só de ação social, mas de transparência e rigor na gestão dos recursos.

Tadros vai também reforçar a área de inteligência em economia da CNC para produzir estudos, atrair especialistas de renome nacional e internacional e atuar de forma mais incisiva e apartidária nos caminhos para o crescimento do país. Também vai atuar em consenso com os presidentes das federações para reforçar a representatividade estadual, algo essencial em um país dessas dimensões e complexidades. A CNC fará uma agenda de reuniões itinerantes para auscultar a sua base e democratizar ainda mais suas decisões. Para fora de suas fronteiras setoriais, a CNC estará unida às demais Confederações para que, em conjunto, ajam na defesa dos interesses dos brasileiros e do fortalecimento da economia e do emprego. Unidas e pautas comuns, serão mais fortes e capazes de mudar cenários.

A vitória de Tadros, que é o que todos esperamos, não será o resultado de articulações, acordos e conchavos. Mas de um consenso no setor de que ele é o nome certo na hora certa. O único capaz de dar à CNC – e esta palavra é essencial – relevância no debate propositivo para o crescimento da economia brasileira e retomada do emprego. A CNC, pela força que seu segmento econômico representa, sabe que precisa estar mais presente no debate nacional com propostas concretas.

Aumentar a relevância da CNC em um país em transformação, que acaba de sair de uma recessão profunda, e que ainda lambe suas feridas políticas, significa ter voz na formulação de políticas e econômicas, sociais, educacionais, culturais, ambientais, o que é completamente diferente de imiscuir-se na política-partidária, deturpando os interesses e maculando a neutralidade dos cerca das milhões de empresas que representa.

A política é fundamental, mas tem seus fóruns e canais adequados. Trazê-la para dentro da CNC é, no mínimo, um desrespeito com a história dessa entidade surgida em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo justamente para alterar o foco da política social e econômica do Brasil. A CNC nunca teve cores e emblemas, e não vai começar agora.

O novo comandante da CNC, que liderará a entidade em um país conflagrado politicamente, e tudo isso em um ano de eleições quase gerais, não pode ter na lapela nenhuma sigla partidária, nem tentar arregimentar apoios em fóruns inadequados, como o Congresso Nacional. Que é precisamente o que está fazendo o outro postulante.

A CNC precisa, enfim, de alguém que seja um exemplo para quem representa. E que não misture o mundo empresarial e o mundo político para dar vazão a uma ambição pessoal. O que a CNC terá, ainda mais, com Tadros, em suma, é mais relevância na vida das pessoas. A instituição, que nos últimos 40 anos tornou-se a maior e mais relevante força social do país, nas áreas de cultura, lazer, educação, turismo social, educação profissional e empreendedorismo social por meio do Sesc e do Senac, irá agora além, ampliado sua presença na vida dos brasileiros.

Tadros tem a capacidade de preservar este legado, mas olhar para frente, fazer a CNC avançar mais ocupando um papel de maior relevância compatível com a atividade comercial, força indispensável para mover o país.

*Luiz Gastão Bittencourt é vice-presidente da CNC, presidente licenciado da Fecomercio Ceará e interventor do Sesc e do Senac Rio de Janeiro

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