Ambientalista aponta que região ainda sofre com despejo de esgoto nos rios – A Voz da Cidade
Siga a Voz da Cidade
HomeCidadesAmbientalista aponta que região ainda sofre com despejo de esgoto nos rios

Ambientalista aponta que região ainda sofre com despejo de esgoto nos rios

Cidade da região que mais trata o esgoto é Resende (70%) e a que menos trata é Barra Mansa (3%) - Foto: Fábio Guimas

Ambientalista aponta que região ainda sofre com despejo de esgoto nos rios

SUL FLUMINENSE

No Dia Mundial da Água, celebrado nesta quinta-feira, dia 22, o jornal A VOZ DA CIDADE conversou com o especialista em recursos hídricos do Comitê da Bacia Hidrográfica do Médio Paraíba do Sul, Leonardo Guedes, que analisou a situação dos rios e o uso da água no Sul Fluminense. De acordo com ele, apesar de todos os esforços ainda faltam investimentos no tratamento de esgoto – um dos principais fatores poluentes dos mananciais da região.

O Rio Paraíba do Sul é responsável pelo abastecimento de quase um milhão de pessoas no Sul Fluminense. Um mapeamento realizado recentemente pela Agência Nacional de Águas (ANA) demonstra que o manancial sofre com o despejo, in natura, de esgoto de casas e indústrias em suas águas; o que afeta diretamente a qualidade da água. Como consequência desse despejo em áreas urbanas, a saúde da população é afetada e a captação da água também.

“Na região temos alguns exemplos de municípios que menos poluem os rios, ou seja, que já tratam uma grande parcela de seu esgoto. Resende realiza o tratamento de 70%; Porto Real, na faixa de 60%; Volta Redonda é a única que possui tratamento terciário, ou seja, que retira nutrientes e poluentes industriais. No entanto, Volta Redonda trata somente 18% do esgoto – número considerado baixo levando em consideração o tamanho da cidade. Barra Mansa trata 3%, porém, tem projetos para ampliação; Piraí trata 7% e Vassouras 14%. Então existem alguns bons exemplos, mas ainda é preciso maiores investimentos e principalmente a mudança de cultura das pessoas. É nisso que o comitê trabalha para conseguir garantir recursos e também chamar a atenção da população para cobrar essas melhorias”, afirmou Guedes, informando que esses dados foram divulgados pelas próprias prefeituras em julho do ano passado.

O ambientalista frisou que não há outra forma de melhorar a qualidade da água senão investir na construção de estações de tratamento de esgoto. Ele lembrou que isso reduziria os custos com o tratamento de água, melhoraria a qualidade da água e de vida da população, e consequentemente diminuiria o número de problemas de saúde.

CULTURA DA ABUNDÂNCIA

Para explicar as crises hídricas enfrentadas nos últimos anos, Guedes citou a “cultura da abundância” e o desrespeito no uso do solo e áreas verdes. “As cidades da região cresceram com essa cultura da abundância entranhada nas pessoas, mas por termos uma disponibilidade de água relativamente boa ainda, há desperdícios. Costumo dizer que as pessoas costumam dar as costas para o rio, mas é preciso entender sua importância. Além do mau uso da água e os efeitos do aquecimento climático, que tornam o tempo cada vez mais instável, temos a ocupação das margens dos rios; a degradação das nascentes; o desmatamento de áreas verdes, do topo de morros; tudo isso afeta no que chamamos de áreas de recarga, que são os locais onde ocorre a recomposição dos reservatórios de água no lençol freático”, enumerou o ambientalista.

Guedes explicou que o estresse hídrico vivido, tanto pela grande quantidade de chuva ou pela escassez, é fruto também das alterações climáticas. “Para nós aqui no Sul Fluminense hoje não há risco de desabastecimento porque temos uma vazão regularizada, mas a cada ano que se passa se torna mais irregular o tempo e isso interfere no ciclo da água. No ano passado, por exemplo, o reservatório de Paraibuna-SP tinha 67% do volume útil neste mesmo período do ano; hoje está em 48%. Na represa do Funil, em Itatiaia, há um volume de 80%, muito por conta das chuvas dos últimos dias naquela região e parecido com o mesmo período de 2017, que era de 76%. Então, no balanço geral da Bacia do Paraíba do Sul, já era para a situação estar mais confortável se comparado a mesma data do ano passado”, alertou.

PEDAL PELAS ÁGUAS

Neste domingo, dia 25, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Médio Paraíba do Sul realiza o primeiro passeio ciclístico ‘Pedal pelas Águas’. A ação ocorrerá a partir das 9 horas, simultaneamente em 14 municípios da região.

O passeio ciclístico tem o objetivo de estimular os participantes para a utilização dos recursos naturais, principalmente a água, de modo consciente e ético, destacando a importância do uso sustentável do meio ambiente, além de promover um momento de lazer.

 

 

 

 

Compartilhe!Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter
Classifique essa Notícia
Sem Comentários

Comentar