Polícia 10/08/2015 13:59:17 - Atualizado em 10/08/2015 13:59

Supostos traficantes prometiam vingar morte de "Playboy"

Policiais e trabalhadores em geral estariam no alvo dos marginais

ÁUDIO COM AMEAÇAS

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Fotografada por Evandro Freitas
Policiais também são alvos de traficantes

VOLTA REDONDA

Um áudio de 44 segundos, que apareceu ontem, nas redes sociais de um homem dizendo que iria vingar a morte do chefe do tráfico de drogas, Celso Pinheiro Pimenta, o “Playboy”, morto no último sábado em confronto com a polícia, no Morro da Pedreira, em Costa Barros, na Zona Norte do Rio, deixou a população assustada. Playboy era o alvo número um da Secretaria Estadual de Segurança. Na gravação, o suposto traficante garantia que, a partir das 19 horas, outros marginais, em solidariedade iriam tocar o terror no bairro Vila Santa Cecília, no Sider Shopping e matar inocentes, pais de família e policiais.

O suposto traficante pediu ainda aos comerciantes para fechar o comércio, pois quem não quisesse morrer não deveria aparecer na rua a partir das 19 horas. Segundo o áudio a ordem lá de cima (cúpula) era para matar 50 policiais para vingar a morte do Playboy. “...Quem  não quer morrer não apareça...Vamos botar terror na Vila Santa Cecília...Tá pensando o que? O bagulho tá louco, tá ligado! O bloco de Volta Redonda está fechado. É melhor não saírem de casa. Vamos invadir aquele shopping e sair metralhando tudo. Fica em casa e fecha as lojas. A morte do Playboy vai ser vingada ".

Mesmo sem a certeza de que a mensagem de áudio  seria verídica ou simplesmente um conteúdo plantado para aterrorizar a população de bem, a população se precaveu saindo do trabalho mais cedo. Além disso, muitos pais buscaram as crianças nas escolas antes do horário convencional. Ouvidas pela equipe de reportagem do A VOZ DA CIDADE, várias pessoas se declaram preocupadas com a notícia. Algumas garantiram que chegaram a ouvir o áudio. Outras, simplesmente, ficaram sabendo por terceiros e mesmo assim se assustaram. A técnica em enfermagem, Vânia Helena Almeida, 32 anos, declarou que ouviu a gravação e ficou com medo. ”Por precaução estou saindo mais cedo do trabalho e vou direto para casa. Já avisei meus familiares e amigos que não sabiam para ficarem em casa. Pode ser mentira, mas também pode ser verdade. Não custa nada se precaver”, declarou.

Outra que também acreditou na gravação foi a dona de casa Elizabete França de Oliveira, 45 anos. Declarou que assim que ficou sabendo das ameaças avisou a filha e pediu para que ela não saísse mais de casa. “Não custa nada precaver mesmo que seja mentira”, disse a mulher.  A técnica em contabilidade Carolina Figueiredo, 26 anos, contou que quando ficou sabendo do áudio não acreditou, mas mesmo assim não deixou o filho pequeno ficar até o fim da aula. “Meu filho tem 5 anos e não sabe o que está acontecendo, mesmo assim não deixei que ele ficasse até o fim. Vai que algum maluco  cumpre a ameaça. Mas no fundo não acreditei, pois nada tem a ver se o traficante que morreu é do Rio e não daqui”, ressaltou.

Estudantes  das escolas da rede privada e pública não foram dispensados das aulas. Já a estudante Maria Elisa de Assis, 20 anos, disse que acreditou nas ameaças desde o início. “Fui informada por uma amiga e quando ouvi o áudio fiquei com mais medo. Estou voltando para a casa e não quero me arriscar”, disse.                

Ouvido pela equipe de reportagem do A VOZ DA CIDADE, o delegado titular da 93ª Delegacia de Polícia (DP), Luiz Maurício Armond, garantiu que as informações têm um fundo de verdade. Por isso, os policiais ficaram de prontidão. Destacou que não poderia confiar completamente nas redes sociais, mas mesmo assim acreditou que a informação  fosse, pelo menos, parcialmente, verdadeira.

Já o comandante do 28º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Luiz Cláudio Régis, garantiu que o áudio não tem nenhum fundo de verdade, mas não descarta nenhuma informação. Afirmou que as ameaças não fazem o menor sentido e que qualquer pessoa pode ter produzido o áudio. Lembrou também que a facção criminosa a qual Playboy pertencia, citada em um dos áudios, não tem ramificação em Volta Redonda. Declarou que, mesmo assim a Polícia Militar estará atenta para qualquer situação que fuja da normalidade e possa transformar uma ameaça potencialmente verdadeira. O comandante ressaltou ainda que, para a tranqüilidade da população a segurança no bairro Vila Santa Cecília foi reforçada.

Outro fato que assustou a população foi a postagens nas redes sociais de uma foto antiga das viaturas do Batalhão de Operações Especiais (Bope), em frente ao antigo Escritório Central da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) como se fosse ontem. Até o fechamento desta edição, nenhum episódio que poderia ter ligação às supostas ameaças foi registrado no bairro Vila Santa Cecília, mas várias viaturas foram enviadas ao local.

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