Cidades 25/11/2015 08:43:26 - Atualizado em 25/11/2015 08:43

Família de gestante que morreu no HSJB desabafa

Vítima foi internada no dia 20 de outubro para ficar em observação e não corria nenhum risco de vida; mas faleceu, assim como a criança

Suspeita de negligência

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Fotografada por Arquivo Pessoal
Bárbara três dias antes de falecer e um dia antes da cirurgia para a retirada da bebê (Foto: Arquivo Pessoal)

VOLTA REDONDA

Negligência. É disso que a família da comerciante Bárbara Magalhães de Malafaia, 37 anos, suspeita. Ela morreu no último dia 16, no Hospital São João Batista (HSJB) depois de ter sido internada para receber cuidados para a filha que esperava há sete meses, e que também faleceu. Um parente da vítima, que preferiu não se identificar, disse que os familiares não se conformam com as duas mortes e pedem explicações, já que a gestante não corria nenhum risco de morte.

Contou o parente à equipe de reportagem do A VOZ DA CIDADE que Bárbara estava internada desde o dia 20 de outubro apenas para observação, já que tinha uma gravidez com perda de líquido. Nesta semana a mulher completaria 30 semanas e a médica que a acompanhava diariamente havia recomendado que ela não poderia ficar sentindo nenhuma dor.

“A médica solicitou que, a qualquer sintoma diferente era para a minha irmã gritar o plantonista e correr para a sala de cirurgia. Já tínhamos consciência de que a bebezinha seria prematura, mas com o avanço da medicina iria para o Neonatal e iria se recuperar. Agora, a Bárbara que não corria nenhum risco de vida, perde a vida por negligência”, desabafou.

FELICIDADE ANTES DA TRAGÉDIA

A familiar da gestante lembrou que no sábado, 14, por volta das 10h30, Bárbara ligou toda feliz para contar que a médica havia informado que esta semana seria feita a cesariana. Ressaltou que no mesmo dia, por volta das 13 horas, quando a mãe dela chegou ao hospital juntamente com o outro filho da vítima, de 15 anos, Bárbara já estava sofrendo com muitas dores e pedindo socorro.

“Ela implorava para ir para a sala de cirurgia, pois essa ordem foi dada pela médica que a acompanhava. Ela ainda falou isso para a tal pessoa que se diz médica, mas por sua arrogância dizia que a médica do momento era ela e que tomaria as providências de acordo com ela mesma. Bárbara e a mãe imploraram, mas nada foi feito. Somente às 15h30, quando a ela teve sangramento foi levada às pressas para a sala de cirurgia, mas a situação já estava complicada e a bebê acabou falecendo. Útero rompido por falta e atendimento e hemorragia estando dentro do hospital. Isso é normal? É uma tamanha crueldade e irresponsabilidade”, narrou o denunciante.

O parente fez questão de destacar que não queria nunca estar expondo esse caso, mas como a Justiça é demorada, precisa alcançar o maior número de pessoas para que alguém possa ajudar a fazer Justiça. “Essa médica não pode continuar com o CRM como se nada tivesse feito. Não podemos deixar mais uma impunidade passar por nós. Já dei queixa na polícia e agora vamos esperar que a justiça seja feita. Peço apoio de todos para ver se dessa maneira alguém se pronuncia e se o hospital toma providências. Está me doendo muito, mas tenho que fazer esse desabafo”, declarou, ressaltando que a Bárbara mandava fotos do hospital todos os dias e pedia para não postar no facebook, mas pela tamanha indignação precisa de alguma forma mostrar o sorriso no rosto e a confiança que ela estava no lugar mais seguro que poderia haver.

“Gravidez é sinal de saúde e não poderia terminar dessa forma, já que o quadro dela era apenas perda de líquido. Sabíamos que a bebê poderia correr risco, mas ela não. Em momento algum”, completou.

NADA VAI TRAZER A VÍTIMA DE VOLTA

Explicou que nada o que acontecer agora vai trazer mãe e filha de volta, mas a família vai lutar para que com todas as forças para que não faça outras pessoas passarem pelo sofrimento que estão passando. “Tamanha indignação pela impunidade de uma médica que já tem inquérito policial e ainda está exercendo a medicina como se nada tivesse feito. Temos a informação de que em janeiro deste ano ela cometeu outro erro gravíssimo no mesmo hospital e nenhuma providência foi tomada. Hoje, infelizmente venho aos prantos pedir socorro, pois novamente foi negligente e custou a vida da Bárbara e da filha ela. O hospital até agora não se pronunciou, ou seja, mais um caso que ficará impune. Não, eu não deixarei isso acontecer. Sei que isso não vai trazer a Bárbara e a filha dela de volta, mas servirá de alerta às outras famílias”, concluiu.    

Em resposta à equipe de reportagem do A VOZ DA CIDADE, a assessoria da Prefeitura de Volta Redonda informou que o diretor geral do Hospital São João BatistaSebastião Faria, formou uma comissão para a apurar o caso. Destacou ainda, que a comissão terá quinze dias para fazer a apuração e entregar ao diretor.

A família de Bárbara informou que o caso já foi registrado na 93ª Delegacia de Polícia para ser investigado. Por isso, os familiares preferiram não citar, por enquanto, o nome da médica suspeita de negligência. Preferiram também não colocar o nome de quem fez as declarações, mas que todos estão cientes de tudo. 

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