Volta Redonda
Ontem, por volta das 7h50 mim, quem passava pela Vila Santa Cecília se assustou com o barulho intenso e a grande quantidade de pó preto que saía do Alto forno 3, da Companhia Siderúrgica Nacional. Em nota, a empresa divulgou que o fato ocorreu devido ao aumento da pressão no topo do AF 3, quando os blideers (válvulas de alívio) se abriram, provocando o ruído e a emissão da poeira de carvão. O processo durou cerca de dois minutos para que a ação automática das válvulas retornasse à operação normal. A companhia está apurando as causa do aumento da pressão do AF3.
Foram apenas dois minutos, mas deixaram as ruas da Vila Santa Cecília e de parte do Conforto cobertas de fuligem. “Quando chegamos para abrir a loja, estava cheio de pó preto na calçada e na porta, tivemos que limpar tudo primeiro para depois abrir o estabelecimento”, diz Janaina Nogueira, gerente de uma das lojas no local.
Segundo o coordenador do Movimento Ética pela Política, José Maria da Silva, o Zezinho, por volta das 7h45min estava acontecendo na Cúria Diocesana mais uma reunião do Fórum Demissões Zero. “A reunião foi interrompida pelo barulho da CSN. O João Thomas, presidente do Sindicato dos Engenheiros, avaliou na mesma hora e disse que era um sopro especial vindo do Alto Forno. Que ironia, a CSN deu o sopro dela justamente na hora de uma reunião que falava sobre a superação dos impactos econômicos, sociais e ambientais causados pela empresa na cidade”, observa Zezinho.
Inea autua CSN por poluição do ar
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão vinculado à Secretaria do Ambiente, autuou ontem a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) por poluir o ar. O valor da multa pode variar de R$ 1 mil a R$ 500 mil. Os técnicos do Inea, que acompanharam o episódio, informaram que os poluentes liberados foram materiais particulados (carvão, principalmente), gás carbônico e dióxido de carbono. Porém, analistas de qualidade do ar do instituto afirmaram que um diagnóstico preciso sobre as condições atmosféricas da cidade só será possível após 24 horas do incidente. No entanto, em função do ocorrido, avaliaram as condições do ar como inadequadas, independentemente dos valores de concentração de poluentes atmosféricos.
Ainda segundo os analistas, a condição desfavorável do tempo ontem de manhã, com nevoeiro e ventos fracos, dificultou a liberação e dissolução da fuligem. Uma frente fria prevista para ontem à noite possibilitará a dispersão das partículas, na opinião dos técnicos. O instituto informou que depois de controlada a pressão interna do AF3 foi providenciado o seu fechamento.
O secretario de Meio Ambiente, Carlos Amaro Chicarino, diz que recebeu um e-mail da empresa informando que está apurando as causas do incidente. “Houve uma falha que causou um impacto ambiental. Pelo barulho e a poeira de carvão a empresa será responsabilizada e multada por isso. O carvão é um minério que libera na atmosfera o dióxido e o monóxido de carbono, dois gases tóxicos. Vamos investigar se não houve também a liberação desses gases”, afirma Amaro, acrescentando que hoje pela manhã uma equipe da secretaria irá à usina apurar melhor os fatos.
O Alto Forno 3 da CSN tem capacidade para operar com carga de até dez toneladas e, no momento do incidente operava com apenas nove toneladas, segundo a empresa. A fábrica tem dispositivos de segurança no sistema produtivo que são acionados quando ocorre o aumento excessivo de pressão. Até a hora do fechamento desta edição o Alto Forno 3 não havia voltado ao funcionamento.
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