Animal de estimação: um membro de sua família ou um objeto descartável? – A Voz da Cidade
Siga a Voz da Cidade
HomeEspecialAnimal de estimação: um membro de sua família ou um objeto descartável?

Animal de estimação: um membro de sua família ou um objeto descartável?

Animal de estimação: um membro de sua família ou um objeto descartável?

Você vai viajar e não tem aonde deixar seu animal de estimação. O que faz? Joga no meio da rua, afinal não pode perder uma viagem esperada há tanto tempo ou deixa em casa mesmo, pois o que são sete dias fora? Se você não escolheu nenhuma das opções acima, pode ser considerada uma pequena parte da sociedade que tem em seu animal um integrante da família. A realidade acima não é assustadora para muitas pessoas que pegam animais para criar e descartam de acordo com suas necessidades. Existe em Barra Mansa desde 2010 o Bazar Late e Mia, localizado no Centro. E ele tem a cada ano registrado o aumento do número de cães e gatos abandonados. E muitos, de forma cruel.

O bazar funciona como um local que angaria fundos para reverter na causa animal. Diversas coisas são vendidas, conseguidas após doação, e com que é arrecadado, são feitas castrações e atendimento veterinário. “Contamos com a parceria de alguns veterinários que colocam um valor um pouco menor para realizarem castração coletiva. E com isso encaixo não apenas os animais que estão no bazar abandonados, mas também os de pessoas de baixa renda”, contou Maria Lúcia de Carvalho Gama, uma das pessoas que está à frente do Late e Mia.

O abandono de animais tem crescido a cada ano. O local não conta com a parceria do Poder Público e sobrevive de doações (que são revertidas em vendas), parceria com veterinários (que cobram preços mais baixos pelos serviços) e com a ajuda de voluntários (ainda poucos).

Em 2017 foram realizadas 420 castrações de felinos e 70 de caninos. Foram 144 adoções de gatos e 25 de cães.  Cento e vinte e sete gatos foram abandonados no ano passado. O número de adoções foi maior do que de abandono porque em 2016 esta estatística não se repetiu, sobrando animais.

Apesar do resultado positivo, o número de abandono tem crescido a cada ano.

Para tentar alcançar sempre o balanço positivo nas adoções, o Late Mia tem um diferencial que ajuda: os animais são entregues castrados (ou com data marcada para tal) e saudáveis. “Chega a época de final de ano parece que estamos secando gelo. De novembro até depois do carnaval o abandono cresce porque as pessoas querem viajar, e as adoções caem. É uma triste realidade porque muitos não ligam para os bichos, querem gato para caçar rato e não é bem assim. No mês de dezembro foram 35 abandonos, doei 13. Agora em janeiro, até o dia 21, só tinha doado cinco”, contou.

O TRABALHO

E o trabalho do Bazar Late e Mia não consiste em pegar animais em residências. Lúcia Gama conta que o resgate de animal é feito quando há a situação de emergência, onde não existem condições saudáveis para viver, seja na beira do rio, linha do trem, em matagal. “Se você tem criação de gato em sua casa eu não vou pegar. Oriento. Falo das feiras de adoção, ofereço castração porque a gata vai entrar no cio dentro de dois meses de novo, mas não é esse o trabalho. O telefone não para de tocar para pegar esse tipo de situação e não funciona assim”, falou.

E é quando esclarece o fato ou quando a pessoa já sabe que existe o bazar é que acontecem os abandonos cruéis. Lúcia conta que são inúmeras situações de gatos e cachorros em caixas de papelão deixados na porta do bazar, dentro de sacos amarrados com arame, doentes e abandonados em estradas, situações que se repetem praticamente todos os dias.

Os gatos abandonados ficam no bazar que tem o espaço muito pequeno. Já os cães, em lares temporários de voluntários. Os gatos no local é um problema porque a função inicial do bazar não era essa, mas sim a venda para reverter na causa animal, mas com o tempo as pessoas foram abandonando cada vez mais.

E quando as pessoas resolvem adotar não é apenas chegar ao local e pegar o animal. Antes, uma série de ações é realizada, até mesmo assinatura de um termo de responsabilidade. Nessa hora muitos até desistem. Se a adoção for concretizada, existe um acompanhamento por um tempo para ver como está a relação entre dono e animal.

Em algumas situações especiais com animais de rua o Bazar Late e Mia faz intervenção. Maria Lúcia cita uma colônia de gatos que existia no Clube Municipal. Segundo ela, a castração foi feita pelo bazar e os animais devolvidos para as ruas porque em muitos casos eles não podem ser domesticados.

O Bazar Late e Mia está localizado na Avenida Francisco Vilela de Andrade, 133, Centro. Quem quiser se tornar um voluntário, seja com doações ou com a ajuda braçal pode procurar o local para conhecer o trabalho. Informações pelo telefone (24)33242818. Os veterinários parceiros do local são Luana Andrade de Oliveira, Alberto Machado, Rafaela Borges, Ricardo Lopes, e neste ano Marco Aurélio Souza, que doou 22 castrações.

Cerca de três mil animais já foram castrados por iniciativa do local nesses anos de funcionamento.

Voluntários para ajudar na causa são sempre bem vindos. Atualmente quem faz esse trabalho é Lúcia Gama e Márcia Viana.

AS NECESSIDADES DE BARRA MANSA

Para Lúcia Gama, Barra Mansa precisa ter uma atenção especial com os animais de rua. Para ela, o mais importante seria promover a castração em massa porque evita a população desordenada. Além disso, a clínica popular que funcionava pela prefeitura deveria reabrir.

O ideal, para ela, seria o funcionamento da clínica aliado a um centro de zoonoses atuante na causa animal. “Se eu fiz 400 castrações no ano passado imagina quanto a prefeitura poderia fazer. Existem cinco ONGs em Barra Mansa voltadas para cachorro. Com gatos ninguém se importava. Mas é preciso atenção porque para cada criança que nasce hoje são 45 novos gatos. E não estamos falando apenas de número de animais nas ruas, mas sim de doenças que passam para as pessoas. É um caso de saúde pública”, citou.

 ‘É O XODÓ DA MINHA CASA’

Em meio a tantas situações de abandono, existem pessoas que se importam com os animais e, ao adotar, os assumem como parte da família. E foi isso que aconteceu com Dhaieny Liz Sacchi, de 30 anos, que levou seu filho Heitor Miguel de 11 anos para o Bazar Late e Mia. Eles adotaram a Mia, com oito meses. “É o xodó da nossa casa. Ela já tinha sido rejeitada por um adotante e veio para mim. O trabalho feito pelo bazar é maravilhoso. Os voluntários são muito intensos no que fazem e colocam muito amor. Fico encantada”, disse, completando que a gata já foi castrada para sua casa.

Ela aproveitou para pedir que mais pessoas se engajem nessa causa, seja com doações para o bazar ou até com a ajuda porque são poucas pessoas que pegaram a responsabilidade.

Compartilhe!Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter
Classifique essa Notícia
Sem Comentários

Comentar